06/09/2016

A Casa dos Budas Ditosos

Postado por Jader Dalmas |

Depois da Gula (Luis Fernando Verissimo), da Ira (por José Roberto Torero) e da Inveja (por Zuenir Ventura), chega agora a vez de João Ubaldo escrever sobre a luxúria na coleção Plenos Pecados. O livro traz a história de CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo. Seriam as memórias desta senhora devassa e libertina um relato verídico? Ou tudo não passa de uma brincadeira do autor? Nunca saberemos. Importa é que ninguém conseguirá ficar indiferente à franqueza rara deste relato e a seu humor corrosivo.

A casa dos budas ditosos é um livro sobre relatos de uma senhora atolada no pecado da luxuria, que não da a impressão de ser uma invenção do autor, mas nem a certeza de ser uma história verídica. Com muita ironia, uma história de libertinagem é contada não em detalhes, mas apenas enfatizando os pontos que a protagonista acha interessante relatar ao leitor.

Para quem gosta de livros sobre romances libertinos, esta é a leitura ideal, pois o autor exibe vários pecados da personagem a qual fala como se sexo fosse normal, como é o ato de almoçar para as pessoas comuns, sempre se vangloriando de como as pessoas reagiriam ao ler, falar ou pensar nos seus relatos. Fica a dúvida, sexo é uma coisa normal? Devemos falar dele com tanto pudor?

O que mais me chamou atenção no livro foi o modo como a relatora retrata as suas memorias ao leitor, sempre se mostrando uma pecadora e que seu pecado não é uma coisa de outro mundo e que os que não pecam não vivem plenamente uma vez que estes atos eram praticados antes de a religião os proibirem, e comparando a religião há uma legião de frustrados.

Em suma, é um ótimo livro que tem por objetivo chocar pela naturalidade que a personagem fala de seu pecado (luxuria), sendo que ficamos sem saber a veracidade dos relatos, assim ela pode ser punida por varias religiões (as quais não segue), cabendo diversas punições segundo cada religião, mas o julgamento não cabe a nós.

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