20/06/2014

Querida Sue

Postado por Liliane Cristine |

Março, 1912: A jovem poeta Elspeth Dunn nunca viu o mundo além de sua casa, localizada na remota ilha de Skye, noroeste da Escócia. Por isso, não é de espantar a sua surpresa quando recebe uma carta de um estudante universitário chamado David Graham, que mora na distante América. O contato do fã dá início a um intercâmbio de cartas onde os dois revelam seus medos, segredos, esperanças e confidências, desencadeando uma amizade que rapidamente se transforma em amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial força David a lutar pelo seu país, e Elspeth não pode fazer nada além de torcer pela sobrevivência de seu grande amor. Junho, 1940, começo da Segunda Guerra Mundial: Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Britânica. Sua mãe a alerta sobre os perigos de um amor em tempos de guerra, um conselho que Margaret não quer ouvir. No entanto, uma bomba atinge a casa de Elspeth e acerta em cheio a parede secreta onde estavam as cartas de amor de David. Com sua mãe desaparecida, Margaret tem como única pista do paradeiro de Elspeth uma carta que não foi destruída pelas bombas. Agora, a busca por sua mãe fará com que Margaret conheça segredos de família escondidos há décadas. Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.

Querida Sue é um romance epistolar que nada mais é uma técnica literária que consiste em desenvolver a história através de cartas.

O romance começa em 1912 com David Graham, um estudante de dezoito anos de idade, de llinois, dos EUA, escrevendo para Elspeth Dunn, uma poetisa de vinte e quatro anos de idade que nunca tinha saído da Ilha de Skye, na Escócia. O primeiro contato é através de uma carta comum de um fã que acaba acumulando diversas trocas de cartas transformando em algo mais...

Além das trocas de cartas entre David Graham e Elspeth Dunn antes e durante a Primeira Guerra Mundial, há também as cartas escritas pela filha de Elspeth Dunn, chamada Margaret que passa por uma situação um tanto similar que a mãe passou. Num cenário bastante familiar, novamente em uma guerra, Margaret se corresponde com um jovem soldado durante a segunda guerra mundial.

Esse não é o meu primeiro romance epistolar e particularmente gosto muito de histórias narradas através de cartas. Além de admirar quem tem o dom de usar essa técnica, acho muito complicado usar apenas a correspondência entre os personagens para contar uma história. Acredito que quem desenvolve esse tipo de técnica literária precisa ser muito bom e a autora Jessica Brockmole não decepciona, ao contrário, surpreende contando através somente de cartas uma maravilhosa história de amor.

Fiquei impressionada com a forma e habilidade na construção de seus personagens e história. Fui levada para a Escócia e Londres, em meio a duas guerras sentindo através das palavras da autora tudo que se passava com seus personagens.

A história em si pode parecer básica e simples, mas o interessante foi à forma como foi organizada e desenvolvida que tornou pelo menos para mim uma leitura muito agradável.

E eu não pude deixar de pensar em como a vida principalmente de David e Elspeth poderia ter/teria sido diferente em nossa atualidade, vivendo em nosso mundo com computadores, internet, celulares, nas mais diversas sofisticadas formas de comunicação! Imagino quanto desgosto e problemas poderiam ter sido poupados...

Em suma, o livro a princípio pode até ser visto como um romance leve, mas ele tem uma história densa e muito significativa que explora a vida e os relacionamentos durante tempos de guerra. A facilidade com que Elspeth e David conversam através de suas cartas é envolvente e convincente, e o mistério do que aconteceu há muito tempo se revela lentamente, desvendado uma reviravolta do destino e do tempo muito bonita. Provando que o tempo e a distância para quem ama verdadeiramente não acaba, porque o tempo não apaga, o vento não leva e a distância não destrói.

Recomendo!

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