03/06/2014

O Fim da Eternidade

Postado por Liliane Cristine |


Andrew Harlan é um Eterno: membro de uma organização que monitora e controla o Tempo. Um Técnico que lida diariamente com o destino de bilhões de pessoas no mundo inteiro: sua função é iniciar Mudanças de Realidade, ou seja, alterar o curso da História. Condicionado por um treinamento rigoroso e por uma rígida autodisciplina, Harlan aprendeu a deixar as emoções de lado na hora de fazer seu trabalho.

Tudo vai bem até o dia em que ele conhece a atraente Noÿs Lambent, uma mulher que abala suas estruturas e faz com que passe a rever seus conceitos, em nome de algo tão antigo quanto o próprio tempo: o amor. Agora ele terá de arriscar tudo - não apenas seu emprego, mas sua vida, a de Noÿs e até mesmo o curso da História.

Da extensa obra de Isaac Asimov, "O Fim da Eternidade" (publicado originalmente em 1955), junto com a série "Fundação e The Gods Themselves", está entre os melhores livros escritos pelo autor, e é considerada uma das mais bem-sucedidas histórias de viagem no tempo.

O Fim da Eternidade é uma história habilmente construída tendo como tema central a viagem no tempo, onde um grupo meticulosamente escolhido tem o poder de ir e voltar no tempo, ajustando assiduamente  todos os acontecimentos para manter a humanidade no controle, evitando assim catástrofes e a própria destruição do mundo.

Fiquei completamente fascinada com a teoria científica moderna sobre viagem no tempo criada por Isaac Asimov que de forma tensa e excitante explora as consequências das viagens no tempo que tem como principal objetivo a manutenção da longevidade humana.

Isaac Asimov  tinha um excepcional dom em criar processos matemáticos e tecnológicos  fantásticos jamais imaginados. Contemplando assim  algumas explicações científicas bastante complexas, o que pode ser um pouco desanimador para alguns leitores, no entanto, o livro centra-se em um personagem específico chamado Harlan que através de seu trabalho como principal técnico da “Eternidade” precisa lidar com as suas próprias preocupações e expectativas de seus superiores. E em um determinado momento irá se questionar sobre tudo, envolvendo-se em ações desesperadas que podem trazer um fim à Eternidade...

Um detalhe interessante é a falta da presença feminina na história, exceto uma! Como o livro foi escrito na década de 50 é até compreensível essa visão mais machista. Mas, surpreendentemente no final, é a mulher o elemento central da trama deste livro – solucionando tudo através de melhores argumentos. Quem poderia imaginar?  Está claro que Isaac Asimov tinha uma visão bastante crítica da sociedade machista da época.

Em suma, é uma história maravilhosa que desafia o leitor a pensar sobre os nossos limites, o nosso livre-arbítrio e se a busca constante de estar sempre controlando o mundo pode de fato ser benéfico ao ser humano. Até que ponto controlar o mundo, evitando guerras, doenças, até mesmo desastres naturais podem trazer a evolução humana? Afinal, se o mundo é perfeito, o homem não precisa fazer mais nada por ele. Será que continuaríamos estudando, trabalhando, em busca de um mundo melhor? São muitos os questionamentos, e só pelo autor nas entrelinhas ter instigado essas questões no livro, posso dizer o quanto ele para mim foi sensacional!  

Para terminar não posso deixar de mencionar o excelente trabalho da Editora Aleph tanto na edição, como a capa linda e sua diagramação. Não esquecendo também da revisão – impecável! Ainda mais para um tipo de livro tão complexo quanto este. Fiquei muito satisfeita e recomendo a todos!

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