24/03/2014

A Menina Que Roubava Livros

Postado por Liliane Cristine |

A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.

Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adotivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.

A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

Faz muito tempo que não leio uma história tão densa, com uma narrativa tão rica. E o mais bizarro e interessante é o seu narrador... A história é contada por uma personagem um tanto mórbida e totalmente inusitada: a morte.  Pode parecer estranho, mas como cenário o livro se passa na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, talvez  seja inteiramente apropriado.

O livro conta uma história singela e muito bonita, sobre uma jovem garota, que apesar de ter uma vida que ninguém desejaria a ninguém, ainda consegue ter alguns lampejos de prazer através principalmente dos livros, onde ela encontra alegria no simples ato de ler. E embora muitos livros foram proibidos sob o domínio dos nazistas , a nossa protagonista encontrou alguns livros descartados, esquecidos ou outras vezes se apropriava indevidamente dos mesmos, mas sempre com a ânsia em conhecer e buscar através das palavras o seu entendimento em relação a vida.

A Menina que Roubava Livros, em última análise é a história sobre o poder das palavras. Palavras essas que davam a Liesel ( a protagonista do livro) uma forma de escapar de seus pesadelos. E apresentando à terrível conclusão de que Hitler não foi construído primeiramente com tanques de guerra, mas sim com as palavras. Através delas ele moveu uma nação a favor de suas ambições e loucuras... Acredito que este livro principalmente para os leitores mais jovens irá trazer uma compreensão aguda do poder das ideias.

Recomendo!

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